Nuno Flores – Entre a excelência clássica e a nova etapa em Recife 24/04/2026
Entrevista: Nuno Flores – Entre a Excelência Clássica e a Nova Etapa em Recife
Segue entrevista exclusiva do Assunto de Modelo com o renomado violinista português Nuno Flores.
AM: Recentemente, o seu nome foi associado a uma situação judicial complexa envolvendo entorpecentes (cocaína). O que tem a dizer sobre esse episódio e como está a sua situação atual?
Nuno: É fundamental esclarecer que esse episódio foi um equívoco profundo e uma injustiça processual que, felizmente, já foi totalmente solucionada e arquivada. Nunca tive qualquer envolvimento com esse universo. Foi uma situação de contorno administrativo e de terceiros que acabou por resvalar no meu nome de forma indevida. Hoje, a justiça confirmou a minha total isenção de responsabilidade. Sigo a minha vida e a minha carreira com a consciência tranquila e o foco exclusivo na música, que é a minha única e verdadeira vocação.
AM. Depois de ultrapassado esse contratempo, como tem sido a recepção em Recife e a sua ligação com a cultura pernambucana?
Nuno: Tem sido extraordinária. Recife recebeu-me de braços abertos, reconhecendo o valor do meu trabalho artístico acima de qualquer ruído externo. Estou aqui para criar pontes: entre a investigação acadêmica no Colóquio Internacional de Investigação e Inquietude e a performance viva. A energia de Pernambuco é o combustível perfeito para este meu novo ciclo, onde a maturidade pessoal e artística se encontram.
AM: O projeto "Candle Light Quarteto" parece ser o seu grande foco atual. Como define esta proposta musical?
Nuno: O Candle Light Quarteto é a celebração da música no seu estado mais puro. Reunimos músicos de elite, vindos das melhores orquestras de Portugal (como a Sinfónica Portuguesa), para oferecer uma experiência imersiva e sensorial. Queremos que o público sinta a música de Bach ou Beethoven de uma forma próxima e visceral. É um projeto de prestígio, pensado para espaços que exigem uma atmosfera de excelência, como as Embaixadas e os grandes teatros brasileiros.
AM: A produtora Margareth Libardi tem sido uma peça-chave na gestão deste seu percurso. Como funciona essa dinâmica de trabalho?
Nuno: A Margareth Libardi é uma gestora de visão 360º. Ela compreende a complexidade de gerir uma carreira internacional e é quem assegura que a estrutura logística e de marketing — através da Libardi Marketing e Agência Cítara — esteja ao nível da exigência das instituições com que trabalhamos. Essa parceria permite-me a liberdade criativa necessária para compor e atuar, sabendo que a vertente profissional e social dos projetos está em mãos seguras e experientes.
AM: Com que idade você começou a tocar violino e qual é a sua formação?
Nuno: comecei a tocar violino muito cedo, aos 5 anos. Sou formado no Conservatório Nacional de Lisboa e em Ciências Musicais na Universidade Nova de Lisboa.
AM: Quais foram as principais orquestras clássicas onde você tocou no início da carreira?
Nuno: O meu currículo clássico inclui passagens como 1º violino pela Orquestra Sinfónica Juvenil, Orquestra da Juventude Musical Portuguesa e Orquestra Metropolitana de Lisboa. Fui também bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian durante três anos consecutivos.
AM: Além da Quinta do Bill, que outros grupos famosos ajudou a fundar?
Nuno: fui membro fundador de dois projetos inovadores em Portugal: os Corvos, onde tocava viola darco, e o projeto internacional The Crow.
AM: Com que artistas conhecidos da música portuguesa você já colaborou em gravações ou concertos?
Nuno: A minha versatilidade levou-me a colaborar com nomes como Rodrigo Leão (no álbum Mysterium), Moonspell, Mafalda Veiga, Santos & Pecadores, Xutos & Pontapés e Pedro Abrunhosa.
AM: É verdade que você já abriu concertos para estrelas internacionais?
Nuno: Sim. Em setembro de 1993, fiz a primeira parte do concerto de Mike Oldfield no Dramático de Cascais, apresentando-se num dueto de violino e guitarra.
AM: Em que tipo de espetáculos de teatro musical que você participou?
Nuno: Fui o primeiro violinista e concertino no espetáculo "Maldita Cocaína", uma produção de grande sucesso de Filipe La Féria.
AM: Que tipo de serviços musicais você oferece atualmente em eventos privados?
Nuno: Atualmente, sou bastante requisitado para casamentos e eventos corporativos, atuando tanto como violinista solo (muitas vezes com o conceito "The Crow") como em formato de DJ & Violinista, misturando sons contemporâneos com o instrumento clássico.
AM: Com que grandes nomes da música internacional você já dividiu o palco ou colaborou?
Nuno: Além do dueto com Mike Oldfield, colaborei com artistas de renome mundial como David Byrne (Talking Heads), Ivete Sangalo, Carlinhos Brown e as bandas brasileiras Titãs e Raimundos.
AM: Qual foi o impacto do projeto "The Crow" na sua carreira internacional?
Nuno: O projeto The Crow, fundado por mim, permitiu-me levar o violino pop-rock a um nível global, chegando a gravar videoclipes para a MTV em locais como Ibiza e a realizar concertos em territórios como Macau e o Brasil.
AM: Além dos grupos de rock, Nuno Flores teve alguma ligação a movimentos ambientais ou causas sociais?
Nuno: Sim, sou conhecido pela minha faceta de ativista, tendo colaborado com a Greenpeace e demonstrado um interesse particular pela preservação ambiental (curiosamente, sou também um entusiasta e especialista no cuidado de palmeiras).
AM: Que tipo de formações musicais são as mais comuns atualmente para eventos?
Nuno: Gerencio projetos como o Quarteto de Cordas Crow (um quarteto de cordas moderno) e apresento um frequentemente em formatos solo ou acompanhado por DJ, adaptando clássicos do pop, rock e música contemporânea para o violino.
AM: Em que outros programas de televisão ou projetos midiáticos podemos ver o seu trabalho?
Nuno: Ao longo dos anos, tenho sido uma presença constante na televisão portuguesa, participando em programas da RTP como o "Rir para Ganhar" e em entrevistas de fundo sobre o meio eu percurso, como no "Conversas de Café" ou "À Volta do Piano".
AM: Nuno, você toca apenas violino ou domina outros instrumentos de cordas?
Nuno: Embora o violino seja a minha imagem de marca, na fundação do grupo Corvos, Nuno Flores assumi o papel de viola darco, demonstrando a minha versatilidade dentro da família das cordas.Fonte: REdação Assunto de Modelo